"Tenho-me preparado ultimamente para escrever um último texto, como se
fosse possível, a despedir-me do meu primeiro amor. Todos os dias começo
a escrever, apago tudo e volto a fechar o computador. Com a expectativa
provavelmente que as coisas não tenham que acabar já, e que um dia tudo
dê uma volta e acabemos juntos outra vez. Mas começo a compreender que
não é assim que as coisas vão correr.
Para eu acabar com alguma coisa definitivamente na minha cabeça, tenho
de escrever. E por isso, decidi que hoje, seria o melhor dia para o
fazer.
Há uma semana atrás estávamos apaixonados, estava tudo bem, e eu ainda
pensava que me ia casar contigo. Falta pouco tempo para tudo ir por água
a baixo, e se pudesse chamar-me à atenção à uma semana atrás, faria sem
dúvida.
Pensava que estava bem, mas depois vi-te. É estranho vermos uma pessoa
com quem passámos tanto, passar-nos ao lado e sentirmos nada mais nada
menos que um arrepio pela espinha e vontade de voltar atrás. Eu não sei
quem perdeu quem nesta relação. Ás vezes acho que fui eu que te perdi,
outras acho que tu já me tinhas perdido à muito tempo.
Uma amiga minha tinha-me dito que nas relações duradouras quando acabam,
o que me mais custa são as manhãs. Os quatro anos de manhãs que acordei
ao teu lado, todos os dias me vêm assombrar à noite. Mas meti a mim
própria um desafio. Não me vou deitar com ninguém enquanto ainda te
quiser, como sei que farás várias vezes para te esqueceres da minha
figura, e no dia que me deitar, será porque estou apaixonada outra vez.
Vejo esse dia tão distante como o dia em que farei vinte e cinco anos,
que sempre foi a meta que metemos para nós dois para nos organizarmos.
Tenho saudades tuas. Vou ter sempre. Os erros que cometemos ao longo de
relações, tão novos, e nos martirizamos, acredito que são lições para o
futuro.
Estou farta que a vida me dê lições.
Se pudesse ter a conversa que sempre quis ter contigo, diria-te tanta
coisa que me falta o fôlego para começar a escrever. Mas como sei que
esta vai ser possivelmente a única maneira de "nos comunicarmos" outra
vez, quero que o leias mas com a minha voz. Eu sei que és capaz. Pelo
menos a tua voz, está-me entranhada em todo o lado. Quando oiço "amor",
não imagino sair de outra boca sem ser a tua. A vida dá muitas voltas, e
ninguém me faria acreditar que ia estar numa situação destas à umas
semanas atrás. Foste o meu primeiro amor. Aquele amor que eu olhava para
ti sempre com carinho fosse qual fosse a situação, que te desculparia
tudo, faria tudo, mudaria tudo. E talvez aí já entre num campo
prejudicial para mim, mas o amor é isso mesmo. Dói como tudo, magoa-nos
como tudo, e no fim, acabamos sem nada. Nunca quis acabar sem ti. E
passam-me as coisas mais absurdas pela cabeça, que mato pessoas em prole
do nosso amor, que a vida acaba por nos meter na mesma linha por outras
situações, que um dia acordo e isto foi tudo uma lição, ou que
compreendes que não podemos passar sem um outro. Que não há Inês sem
Luís, nem Luís sem Inês. Depois acordo e vejo o quão absurda sou.
Vai levar muito tempo a cicatrizar, vais conhecer muitas mulheres, vais
achá-las a quase todas desinteressantes porque não é a isso que estás
habituado, tal como eu quando alguém vem falar comigo e compreendo que a
boca é diferente, que as mãos não têm nada a ver, e que não vou ser
feliz ali. Ainda estou naquela fase que projecto a tua imagem em
qualquer pessoa que me apareça à frente, e acabo sempre desiludida.
Porque não há ninguém como tu. Não vai haver ninguém a rir-se da mesma
maneira que tu, nem a abraçar-me da mesma maneira, nem a ouvir ou a
falar da mesma maneira. Não vejo o dia próximo em que volte a gostar do
sorriso de alguém.
Nunca me importei com o que as pessoas diziam de ti, se bem que agora
sei que vais fazer justiça à fama que é dada aos rapazes daí.
Amor, a vida vai continuar em frente. Há uma parte de mim que
reza que dentro do teu coração, não guardes nada mais a não ser amor e
carinho por mim, assim como eu a ti. Quero que fiques bem. Quero que
arranjes um bom emprego um dia, que acabes numa boa casa. Que te rias
todos os dias e que te orgulhes da pessoa que és. Vais ser um bom pai. E
a pessoa que acabar contigo, vai ter sorte. No meu intimo de mulher,
espero também que essa futura mulher, tenha ciúmes do que passámos. Que
se lembre do quanto andámos de mão dada, do quando dormimos enroscados, e
do quanto me prometeste. E no fim, que só não acabámos juntos, por
erros meus. Erros que estão longe de ser como os pintam, mas erros à
mesma.
Todos erramos. Tu, eu, as outras e os outros. Não há nada como levar
dentro da consciência, o fim de uma relação, mal acabada, e mal
resolvida. Mas ter uma última conversa contigo, seria abdicar da parte
mental que ainda me resta nestes últimos dias.
Ri, vive, dança, socializa, conhece novas pessoas.. Por mais voltas que a
vida dê , o que tem de ser é. E se não nascemos então realmente um para
o outro como tu dizias quando me davas a mão enquanto tentavas dormir,
então nascemos para marcar a vida um do outro.
Nunca vais ser uma pedra no meu caminho, nunca foste. Foste até agora a
pessoa mais bonita que a vida me deu. E como dizes, "nunca é tarde
demais para encerrar um capitulo e começar uma nova história". Então,
meu bem, espero que o que se avizinhe para ti, seja tão bom como para
mim. Com grande amor, e com muita saudade no coração, com vontade de te
beijar ou estar contigo mais uma vez, despeço-me de ti. Meto uma pedra
sobre as folhas que escrevemos os dois, com saudade,arrependimento dos
dias em que te magoei, e em todos os outros que não te disse que te
amava.
Nunca me vou esquecer de ti."
E podia ter sido eu a escreve-lo..
Nenhum comentário:
Postar um comentário